Como comparar dois orçamentos de energia solar
Duas propostas na mesa, preços diferentes, e nenhuma delas escrita do mesmo jeito. É a situação mais comum de quem está decidindo — e a mais desconfortável, porque parece que seria preciso entender de engenharia para escolher.
Não é. O que resolve é obrigar as duas a responderem às mesmas perguntas.
1. Normalize pelo kWp
Nunca compare pela quantidade de placas. Um sistema com 9 módulos pode ser maior que um com 12, se os módulos forem mais potentes — os que instalamos hoje vão de 585 a 710 W.
O número que importa é a potência total em kWp, e ele é fácil de obter:
kWp = quantidade de módulos × potência de cada módulo ÷ 1.000
Explicamos essa conta em detalhe no post sobre quantas placas você precisa.
Com os dois kWp na mão, você finalmente tem a mesma unidade nos dois lados.
2. Confira a geração estimada
Cada proposta informa uma geração anual esperada. Divida-a pelo kWp:
geração anual ÷ kWp
Em Santa Catarina, o resultado normal fica em torno de 1.100 a 1.300 kWh por kWp ao ano. Bem acima disso é promessa otimista — e promessa otimista é o jeito mais fácil de fazer um sistema menor parecer suficiente.
Se um orçamento promete geração muito maior que o outro com potência parecida, a diferença não está no equipamento. Está na conta.
3. Coloque os itens lado a lado
Aqui está a tabela que resolve a maior parte das dúvidas. Preencha as duas colunas:
| O que verificar | Por que importa |
|---|---|
| Potência total (kWp) | a única base de comparação honesta |
| Modelo do módulo e do inversor | marca e modelo, não só "painel de 600 W" |
| Garantia de cada um | produto e desempenho são coisas diferentes |
| Estrutura de fixação | material e tipo; é onde mais se economiza escondido |
| String box CC e CA | inclusas ou não, e com qual proteção |
| ART ou TRT | responsabilidade técnica formal pelo projeto |
| Homologação na concessionária | quem faz e se está no preço |
| Prazo de instalação | por escrito, contado de quando |
| Pós-venda | o que está incluso e por quanto tempo |
Quando as duas colunas estiverem preenchidas, a diferença de preço quase sempre se explica sozinha.
4. Cuidado com quatro pegadinhas
"Instalação inclusa". Inclusa até onde? Padrão de entrada, adequação do quadro, alvenaria, guindaste se necessário — vale perguntar o que não está.
Geração calculada sem visita. Se ninguém foi ao local, o sombreamento e a orientação reais não entraram na conta. Sombra parcial derruba mais geração do que parece — é o assunto do post sobre sombreamento.
A conta que "zera". Nenhum sistema zera a fatura: existe o custo de disponibilidade, que é de 30, 50 ou 100 kWh conforme a ligação, e existe o Fio B, que sobe a cada ano até 2029. Proposta que promete conta zerada está omitindo os dois.
Inversor menor que os painéis. Isso é normal e chama-se oversizing. Só vale conferir a relação, como explicamos em inversor menor que os painéis — não é motivo para descartar uma proposta.
5. Peça tudo por escrito
A regra final é a mais simples e a mais eficaz: o que não está na proposta não está contratado. Resposta boa por WhatsApp não vale como garantia.
Se uma empresa se recusa a detalhar, isso já é uma informação sobre ela.
E se as duas continuarem parecidas?
Aí a decisão deixa de ser técnica e passa a ser sobre quem executa. As perguntas para essa parte estão em 10 perguntas antes de contratar.
Fale com a gente se quiser que a gente revise as propostas que você recebeu, mesmo que nenhuma seja nossa. Costuma levar poucos minutos apontar o que está faltando em cada uma.
