Quantas placas solares preciso para minha casa?
A conta é mais simples do que parece — e dá para fazer uma estimativa razoável com a sua conta de luz na mão. O que muda de um caso para outro são os detalhes, e é neles que mora a diferença entre estimativa e projeto.
O ponto de partida: seu consumo
Tudo começa no consumo médio mensal em kWh, não no valor em reais. O kWh está na sua fatura, e é o número que interessa.
Use a média dos últimos doze meses, não o mês passado. Consumo varia bastante ao longo do ano — ar-condicionado no verão, chuveiro no inverno — e dimensionar por um mês isolado leva a um sistema grande ou pequeno demais.
Quanto cada kWp gera na nossa região
kWp é a potência instalada do sistema. Cada kWp gera uma quantidade de energia por mês que depende da irradiação solar do local.
Em Santa Catarina, um sistema bem posicionado gera na faixa de 90 a 110 kWh por mês para cada kWp instalado. Essa variação já leva em conta o inverno, mais nublado, e o verão.
Com isso, a conta fica:
Potência necessária (kWp) = consumo mensal (kWh) ÷ geração por kWp
Uma casa que consome 500 kWh por mês precisa, grosso modo, de algo em torno de 5 kWp.
Da potência para o número de módulos
Aqui entra a potência de cada módulo. Os que instalamos hoje ficam na faixa de 585 a 710 W — ou seja, 0,585 a 0,71 kWp cada. A escolha depende da solução: em telhado, o limite costuma ser a área e o manuseio; em usina de solo, dá para trabalhar com os módulos maiores.
Número de módulos = potência total (kWp) ÷ potência de cada módulo
Seguindo o exemplo, os 5 kWp podem sair como 9 módulos de 585 W ou 7 de 710 W.
Repare que a potência do módulo muda a conta, e é o mesmo sistema nos dois casos — por isso comparar propostas pela quantidade de placas engana. Menos placas não significa sistema menor. O que importa é o kWp total.
As perdas que sempre existem
Nenhum sistema entrega 100% do que os módulos produzem. Existem perdas normais:
- Temperatura: painel quente gera menos. Em telhado exposto ao sol de janeiro, essa é a maior perda do sistema.
- Cabeamento e inversor: parte da energia se perde na conversão e no trajeto.
- Sujeira: poeira e fezes de pássaro reduzem a captação entre as limpezas.
- Orientação e inclinação: telhado voltado ao norte rende mais; leste ou oeste, menos; sul, bem menos.
- Sombreamento: mesmo parcial, derruba a geração — módulos half-cell reduzem esse efeito, mas não eliminam.
Um projeto sério já considera tudo isso. Por isso a conta de guardanapo dá uma ideia, mas não substitui o dimensionamento.
Um detalhe que muda o resultado
Dimensionar para zerar a conta costuma ser desperdício. Como explicamos no post sobre o Fio B, sempre restam o custo de disponibilidade — o mínimo cobrado pela ligação — e a iluminação pública. São valores que o sistema não elimina, por maior que seja.
O ponto ideal costuma ser um pouco abaixo do consumo total, e é isso que um bom projeto busca: o tamanho em que cada módulo a mais ainda se paga.
Faça a estimativa agora
Nosso pré-dimensionamento faz essa conta com você: informe o valor da conta ou o consumo em kWh, o tipo de ligação, e ele devolve a potência estimada e a quantidade aproximada de módulos.
É uma estimativa — o número definitivo sai da visita técnica, quando avaliamos telhado, orientação, sombreamento e padrão de entrada. Mas serve para você começar a conversa sabendo do que está falando.
