Energia solar e granizo: os painéis resistem?
Em Santa Catarina a pergunta é pertinente. Temporais com granizo acontecem, e é natural olhar para um telhado coberto de vidro e se preocupar.
A resposta curta: os módulos são projetados e testados exatamente para isso — mas existe limite, e vale saber qual.
O que a certificação garante
Módulo fotovoltaico vendido no Brasil precisa de certificação Inmetro, que inclui ensaio de impacto. O teste padrão do setor dispara esferas de gelo de cerca de 25 mm — aproximadamente o tamanho de uma bola de gude grande — a uma velocidade em torno de 80 km/h, em vários pontos do painel.
Ou seja: granizo de tamanho comum, que é o que ocorre na maioria dos temporais, está dentro do que o módulo foi feito para suportar.
O vidro usado é temperado, com alguns milímetros de espessura — bem mais resistente que vidro comum. Em muitos temporais, telhas quebram antes dos módulos.
Onde está o limite
O ensaio cobre a faixa comum, não o extremo. Granizo muito acima do padrão de teste — aquelas pedras grandes que ocasionalmente aparecem em eventos severos — pode danificar.
Dois fatores mudam o risco:
- Ângulo de impacto. Módulo inclinado recebe boa parte do granizo de raspão, o que dissipa a energia do impacto. Painel na horizontal recebe o golpe cheio.
- Tamanho e velocidade. A energia do impacto cresce rápido com o diâmetro da pedra.
O dano que não se vê
Aqui está o ponto que quase ninguém comenta e que mais importa: nem todo dano de granizo é visível.
Um impacto forte pode causar microfissuras nas células sem trincar o vidro. O painel continua com aparência normal e continua gerando — só que menos, e degradando mais rápido daí em diante.
Por isso, depois de um temporal forte, vale mais do que olhar o telhado:
- Compare a geração com o período anterior. Uma queda que não se explica pelo clima é sinal. Nosso post sobre como saber se a usina está gerando bem explica como fazer essa comparação.
- Considere uma inspeção termográfica, que revela células danificadas e pontos quentes invisíveis a olho nu.
Seguro
Sistemas fotovoltaicos podem ser incluídos em apólice — seja como cobertura adicional no seguro residencial, seja em seguro específico para o equipamento. Granizo costuma estar entre os eventos cobertos.
Vale conferir a apólice antes que o evento aconteça, e não depois. Duas perguntas ao corretor resolvem: o sistema está coberto, e o granizo está entre os riscos previstos.
Reduzindo o risco no projeto
Nada elimina granizo, mas algumas escolhas ajudam:
- Inclinação adequada, que já é o padrão quando se aproveita a inclinação do telhado.
- Módulos de fabricante estabelecido, com certificação em dia — vale lembrar que garantia de 30 anos só serve se a empresa existir daqui a 30 anos.
- Estrutura bem dimensionada, que mantém os módulos firmes durante o vendaval que costuma acompanhar o granizo.
Resumindo
Granizo comum não costuma ser problema — os módulos são testados para isso, e é frequente o restante do telhado sofrer mais que eles. O cuidado real é com o dano invisível: depois de um temporal forte, acompanhe a geração e considere uma inspeção.
Se você teve granizo e quer avaliar o sistema, fale com a gente — inclusive se a instalação não foi nossa.
