String box CC e CA: para que serve e por que não se deve economizar nela
Numa proposta de energia solar, a string box costuma aparecer como um item discreto no meio da lista. É também um dos primeiros lugares onde se corta custo quando alguém quer apresentar um orçamento mais barato — e um dos piores lugares para isso.
O que ela é
A string box é o quadro de proteção do sistema. Ela fica entre os equipamentos e tem três funções: proteger contra surto, proteger contra sobrecorrente e permitir desligar o sistema com segurança para manutenção.
Todo sistema tem dois lados elétricos distintos, e cada um precisa da sua proteção.
O lado CC: entre os painéis e o inversor

É o trecho em corrente contínua, dos módulos até o inversor. Dentro da string box CC você encontra:
- DPS (dispositivo de proteção contra surtos) — protege contra sobretensão vinda de descarga atmosférica. Não precisa o raio cair no telhado: uma descarga a centenas de metros induz um surto suficiente para queimar o inversor.
- Fusíveis ou disjuntores CC — protegem contra corrente acima do previsto, em geral quando há mais de uma string em paralelo.
- Chave seccionadora CC — permite abrir o circuito para manutenção.
Essa é a parte crítica, e o motivo é a natureza da corrente contínua. Na corrente alternada, a tensão passa por zero cem vezes por segundo, e um arco elétrico se apaga naturalmente nessa passagem. Em contínua isso não acontece: o arco, uma vez aberto, tende a se manter.
Por isso, dispositivos CC não são intercambiáveis com os de CA. Usar um disjuntor comum de quadro residencial no lado contínuo é erro grave — e acontece.
O lado CA: entre o inversor e o quadro

Depois do inversor a energia já é alternada, no mesmo padrão da rede. Aqui a proteção envolve:
- Disjuntor CA dimensionado para a corrente de saída do inversor.
- DPS CA, protegendo contra surtos que venham pelo lado da rede da concessionária.
Onde a economia aparece
Quando um orçamento vem bem abaixo dos outros, a string box costuma ser um dos pontos. Vale reparar em três coisas:
- String box sem DPS. É o corte mais comum e o mais caro no longo prazo: um DPS custa uma fração do inversor que ele protege.
- Componentes de CA usados no lado CC. Mais barato, e perigoso pelo motivo do arco explicado acima.
- Dimensionamento genérico. A proteção precisa corresponder à tensão e à corrente daquele arranjo específico, não a um kit padrão de prateleira.
Há ainda uma consequência que aparece só depois: garantia. Fabricante de inversor costuma não cobrir queima por surto quando a instalação não tinha proteção adequada. A economia de hoje vira um inversor sem garantia amanhã.
Como isso conversa com a norma
A NBR 17193 elevou o patamar do que se espera de uma instalação: além das proteções tradicionais, sistemas acima de 120 Vcc e 20 A passaram a exigir proteção contra arco elétrico (AFCI), e o conjunto precisa permitir o desligamento rápido.
Ou seja: a discussão sobre proteção deixou de ser boa prática e virou requisito normativo.
O que perguntar numa proposta
Se você está comparando orçamentos, três perguntas resolvem:
- A string box tem DPS nos dois lados, CC e CA?
- Os dispositivos do lado contínuo são próprios para corrente contínua?
- O sistema atende à NBR 17193?
Se você quiser ajuda para ler o que está escrito nas propostas que recebeu, fale com a gente — mesmo que nenhuma delas seja nossa.
